Armênia
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ETIMOLOGIA
FORMAÇÃO DA NAÇÃO
A HISTÓRIA
A CULTURA
A IGREJA APOSTÓLICA ARMÊNIA
OS ARMÊNIOS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
NOTA DO WEB MASTER HAGOP



O nome nativo para o país é Hayk. Na Idade Média foi aumentado para Hayastan, pela adição do sufixo -stan que significa terra. O nome é tradicionalmente derivado de Hayk , o lendário patriarca dos armênios e trineto de Noé, que segundo Moisés de Khoren foi quem defendeu seu povo do rei babilônio Bel e estabeleceu seu povo na região das montanhas do Ararat. Porém, a mais remota origem do nome é incerta.


Haig Nahapet - também escrito "HaiK" ou "HayK".



O exônimo Armênia aparece pela primeira vez em persa antigo na inscrição de Behistun (515 a.C.) como ARMINA.


Inscrição de Behistun.

O texto da inscrição é uma declaração de Dario I, escrita três vezes em três alfabetos e línguas diferentes: duas línguas lado a lado, persa antigo e elamita, e babilônio acima delas.
Dario governou o império persa de 521 a 486 a.C.. Por volta de 515 a.C., ele mandou fazer uma inscrição com a longa história da sua ascensão ao poder diante do usurpador Smerdis da Pérsia (e sobre suas guerras subseqüentes e supressões de rebelião) a ser inscrita em uma falésia perto da atual cidade de Bisistun, aos pés das montanhas Zagros, no Irã, exatamente aonde se chega vindo das planícies de Kermanshah.

A inscrição tem aproximadamente 15 m de altura por 25 m de largura, e fica a 100 m de altura numa falésia à beira de uma antiga estrada ligando as capitais da Babilônia e do império dos Medas (Babilônia e Ecbatana, respectivamente).

Ela é praticamente inacessível, pois a parte lateral da montanha foi removida a fim de tornar a inscrição mais visível após sua finalização. O texto em persa antigo contém 414 linhas em cinco colunas; o texto em elamita inclui 593 linhas em oito colunas e o texto babilônio está disposto em 112 linhas.

Já como ARMÊNIO, aparece pela primeira vez numa inscrição atribuída a Hecateu de Mileto (m. 476 a.C.).


Hecateu de Mileto.


As duas aparições na mesma época atestam a que o nome era empregado realmente naquela época.

Heródoto (440 a.C.)escreveu: "Os armênios eram equipados como colonos frígios". (Frígio era um povo da idade do bronze).


Herodoto"O Pai da História".


Algumas décadas depois, Xenofonte, um general grego na guerra contra os persas, descreve muitos aspectos do cotidiano das vilas armênias e a sua hospitalidade. Ele relata que o povo fala uma língua que para seus ouvidos, assemelhava-se ao persa.


Xenofonte foi discípulo de Sócrates, também poeta escritor.




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A Armênia é povoada desde os tempos pré-históricos e era o suposto local do Jardim do Éden bíblico.


Jardim do Édem no imaginário artístico

A Bíblia dá indicações de onde seria o local, o que levou a várias tentativas para localizar o Jardim do Éden. A história da criação de Gênesis diz respeito à localização geográfica, tanto do Jardim do Éden como do Jardim de Quatro Rios (Pisom, Giom, Tigre e Eufrates), e três regiões (Havilá, Assíria e Kush). Há entendimentos de que o Éden estaria nas cabeceiras dos rios Tigre e Eufrates.


Antigo mapa mostrando o suposto local do EDEM


A Armênia se localiza no planalto ao entorno da montanha bíblica do Ararat. Segundo a tradição judaico-cristã, foi o local onde a Arca de Noé encalhou após o Dilúvio.


Imagem ilustrativa da Arca de Noé no Ararat

O processo de formação do povo armênio remonta às profundezas dos séculos, entre o 2º e 1º milênio a.C.
A ciência moderna assegura que, incontestavelmente, tal processo teve lugar no Planalto Armênio, envolvendo diversas tribos e mescla de povoações que pouco a pouco se convergiram para uma nação única.

O papel fundamental neste longo processo de assimilação foi reservado às tribos que falavam uma língua pertencente à família indo-européia, das quais, os estudiosos destacam a tribo Hayasa, que habitava o planalto da Armênia e que, provavelmente, deu origem ao nome como os armênios chamam a si próprios: Hai.

Vivendo na encruzilhada de dois mundos, o asiático e o europeu, desde os primórdios os armênios ficaram expostos às culturas do Leste e Oeste, e a Armênia, por si só, incorporou muitos elementos dessas culturas.

O Planalto Armênio, devido à sua localização geográfica foi, constantemente, sujeito às invasões dos conquistadores que vinham do Oeste a Leste, e com mais freqüência do Leste a Oeste. Esse fator geopolítico não perdeu seu significado até os dias de hoje.


localização da Armênia

Muitos aspectos afetaram a formação da mentalidade armênia, que podem incluir as tribulações da história da Armênia, a exposição do povo armênio aos proponentes das civilizações ocidentais e orientais, sua remota adoção à ética cristã.

E apesar de serem susceptíveis à penetração cultural, de um forma ou outra eles conseguiram preservar sua ingenuidade, as tradições de seu comportamento social e estilo de vida familiar, que remonta a milênios.

Os armênios têm sido conhecidos como um povo que facilmente se adapta às variações das condições de vida, são assíduos trabalhadores, acumulam muita experiência e espertos em matéria de comércio.

Através dos séculos, os armênios têm assegurado destacados postos civis e militares na Geórgia, Rússia, Bulgária, Hungria, Romênia, Egito e outros países.

Atualmente, há muitos armênios no mundo que possuem papéis importantes nas áreas econômica, política e cultural como na França, Estados Unidos, Síria, Líbano, etc. Também nos anais da história, os armênios tiveram papel preponderante, como por exemplo durante o Império Bizantino, entre os século IX - XII, onde a dinastia reinante era macedônia ou armênia, cujas representantes eram de descendência armênia.


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I) Os velhos Estados Armênios:

O Estado armênio possui uma história de mais de três milênios, desde os dias do Reino de Urartu (o Reino de Ararat), que era constituído de um poderoso Estado, concorrente e rival da Assíria.
A seguir alguns aspectos ilustrativos de URARTU













Com o passar dos tempos, o Reino de Urartu enfraqueceu e sucumbiu. De suas ruínas surgiu, por volta do século VII a.C., o reino da dinastia dos Yervant (Orontes), que em pouco tempo cairia sob a dominação do Império Persa dos Aquemenidas. Ao final do século IV, as tropas de Alexandre Macedôncio, o Grande, invadiriam a Ásia Menor e Central, estendendo sua dominação até as Índias.

Com o colapso do Império de Alexandre, a Armênia foi invadida pelos Selêucidas, um dos países de cultura helênica que se emergira das ruínas do Império de Alexandre (vide cultura).

No início do século II a.C., surgiu um reino armênio unificado, com o rei Artachés I (189-160 a.C.), fundador da dinastia Artáchida. O Estado desta dinastia alcançou o seu apogeu durante o reino de Tigran II, o Grande (95 - 55 a.C.).










O Reino da Armênia na sua maior extensão, sob o reinado de Tigranes, o Grande




II) A Armênia entre Roma e Pártia:

O confronto que surgiu entre Roma e Pártia (antiga Pérsia), criou uma nova situação política para a Armênia, que persistiu por muitos séculos.
Constantemente, o território armênio transformou-se num palco de confrontos armados. Em 387, a Armênia foi dividida entre Roma e Pérsia, fazendo com que emergisse uma nova realidade, que perduraria por muitos séculos: a divisão da Armênia em duas partes, Ocidental e Oriental.



III) A Armênia Oriental no século V - Luta contra a dominação persa:

A Armênia Oriental, tendo perdido sua soberania, tornou-se parte da Pérsia Sassânida, porém preservou certo aspecto de autodeterminação, assim como o status social dos senhores feudais, denominados de 'nakharars'.

A Armênia Oriental possuía seu próprio exército, cujo comandante era chamado de 'sparapet'.


Exército Cavalaria -Lanceiros.



Exército Medieval Armênio - Escudeiros desmontados.


Os persas adotaram uma política de respeito e tolerância para com os armênios e a Igreja Armênia (vide cristianismo armênio). No entanto, a partir de meados do século V o Império Persa radicalizou sua posição, aumentando os tributos impostos aos armênios, apontando persas nos postos chaves do país e exigindo que os armênios se convertessem ao mazdeísmo, uma ramificação do zoroastrismo professado pelos persas.

Diante da insuportável pressão e radical intolerância dos persas, aos armênios restava defender sua integridade física, cultural e espiritual. Em 26 de maio de 451, aconteceu a épica Batalha de Avarair.




Apesar de derrotados militarmente no campo de batalha, os armênios conseguiram com que os persas adotassem uma política diferente, fazendo diversas concessões, diminuir os tributos, e abolindo a exigência de conversão religiosa.



IV) A Armênia sob dominação do Califado Árabe:

As conquistas árabes do século VII trouxeram novas alterações políticas na Ásia Menor. Em 610 os Árabes entraram na Armênia Oriental e impuseram suas leis e exigências, o que causou o deslocamento da população, dando origem ao êxodo dos armênios de sua terra histórica.

Muitos abandonaram seus lares e partiram para países cristãos vizinhos, tal como Geórgia e Bizâncio. Um número significativo de nakharars foi para Bizâncio com suas cortes.


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V) O Estado Bagrádita:

Com o enfraquecimento do Califado Árabe, o clã dos nakharars Bagratuni (Bagráditas) conseguiu fortalecer sua posição e, ao final do século IX, proclamou a independência da Grande Armênia.
Achod I (também transcrito como Achot I) tornou-se o primeiro rei da nova dinastia (886), com a capital em Ani.





O Estado da dinastia dos Bagráditas permaneceu por 160 anos, mas deixou seus fortes traços na história do povo armênio, no que se refere ao desenvolvimento e expansão da produção, comércio, vida urbana, cultura e religião.
Os Reinos Bagrátida na Arménia de 962 a 1064




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VI) A Armênia entre os séculos XII e XVII:

A partir da Segunda metade do século XII, o país esteve à mercê de sucessivas invasões de conquistadores estrangeiros: tribos Seljúcidas, mongóis e hordas de Leng-Timur.

Comparativamente aos armênios, os invasores possuíam um desenvolvimento sócio-econômico e cultural menor que os armênios, o que lhes causaria sérios prejuízos e degradação.

Na Segunda metade do século VX e início do XVI, a situação da Ásia Menor mudou drasticamente. O Estado dos Turcos Otomanos, que surgira em meados do século XIV, apareceu com incursões devastadoras sobre Bizâncio, conquistando Constantinopla em 1453; deixando de existir, assim, o Império Bizantino ou Romano Oriental.

No século XVI, a dinastia Safávida assumiu o poder na Pérsia, dando origem a violentas disputas territoriais com os Turcos Otomanos. A Armênia, mais uma vez, foi dividida entre ambas as potências.

A Armênia Ocidental foi anexada à Turquia, e o setor Oriental à Pérsia. Esse estado de coisas permaneceria praticamente inalterado até o início do século XIX.


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VII) O Reino Armênio da Cilícia:



Nota do Webmaster Hagop Koulkdjian Neto:


Caros amigos que estão lendo e acompanhando está história. Faço aqui este breve parênteses, pois esta parte da história da Armênia, mais especificamente a região onde ela acontece, tem ligação com meus antepassados.
Meus avós e bisavós paternos e maternos são oriundos da regiâo da Cilícia, mais precisamente da cidade de SIS como voces poderão localizar no mapa abaixo.

Assim alem do breve relato aqui descrito criei um capitulo mais detalhado dessa parte da história da armênia

(VEJA NO MENU "ARMÊNIA"- "A CILÍCIA ARMÊNIA)



VOLTANDO A HISTÓRIA

O Estado Armênio da Cilícia surgiu no século XI e perdurou trezentos anos. A Cilícia era um país pequeno localizado na costa nordeste do Mediterrâneo, cercado praticamente por todos os lados por diversas montanhas que dificultavam seu acesso por terra.

Desde tempos imemoriais, os armênios habitaram essa região, mas eles se tornaram mais expressivos quando começaram a surgir as migrações, em grande número, dos habitantes da Armênia histórica, incluindo Nakharars, príncipes e senhores feudais.

Aqui a Armênia vive o seu quarto período de independência

Ao final do século XIII e início do século XIV, a Cilícia começou a ser ameaçada com o surgimento do Sultanato do Egito, que lançava suas incursões contra Bizâncio e o Estado da Cilícia.
Não suportando os constantes ataques, o Reino Armênio da Cilícia deixou de existir em 1375


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VIII) Armênia Oriental sob tutela da Rússia:

O interesse dos russos pela região da Trans-Caucásia teve seu efeito acentuado desde o início do século XIX. Como resultado do conflito russo-persa de 1804-1813, a Rússia anexou, entre outros, também o território de Karabagh (Artsakh).

Em novos conflitos armados entre ambas as potências (1826-1828), as tropas russas conquistaram Yerevan. Através do Tratado de Turkmenchai, em fevereiro de 1828, os persas entregaram os khanatos (províncias) de Yerevan e Nakhitchevan para o controle russo.

A totalidade da população armênia saudou essa alternância, pois ao menos lhe assegurava sua existência física e preservação de uma porção do seu território histórico.

A economia da Armênia, assim como a vida cultural e intelectual do povo despertou, com uma nova fase de modernização e desenvolvimento.



IX) Luta de libertação nacional dos armênios ocidentais na segunda metade do século XIX:

Na segunda metade do século XIX, a situação dos armênios que viviam em suas terras ancestrais da Armênia Ocidental, sob dominação do Império Otomano, começou a deteriorar-se, devido às brutais atitudes e intoleráveis condições impostas pelas autoridades turcas contra a população armênia.

Essa situação provocaria o surgimento natural de protestos, que em várias regiões tomou a forma de revolta. Em meados de 1870, começou a surgir um movimento de libertação contra os turcos nos Bálcãs, que teve amplo apoio dos russos.

Nas guerras russo-turcas que se seguiram (1877-1878), os russos alcançaram uma vitória expressiva, conquistando partes substanciais da Armênia Ocidental, incluindo as cidades de Ardahan, Bayazet, Alashkert, Kars e Erzerum.

No Tratado de Paz que foi assinado em São Estéfano, em março de 1878, os armênios "ocidentais" apresentaram às nações européias suas reivindicações relativas à sua segurança física, fim do abuso de poder e respeito aos direitos elementares humanos dentro Estado Turco.

As nações européias exigiram do "homem doente" (alusão ao Sultão debilitado) que se a Turquia adotasse as medidas necessárias para com as minorias étnicas. A Questão Armênia tornava, assim, tópico de discussões na diplomacia internacional.

Entrementes, a situação tenderia a mudar rapidamente, pois as nações européias, lideradas pela Inglaterra e o Império austro-húngaro, insistiram em realizar um Congresso em Berlim, para discutir a situação mundial pós-guerra (russo-turca).

Lamentavelmente para os armênios, esse Congresso não endossou os termos abrangentes no Tratado de São Estéfano, que assegurava-lhes certa autonomia administrativa dentro da Turquia, exortando apenas que os turcos promovessem melhorias para a população armênia, pedido esse que jamais seria cumprida pelas autoridades do governo Otomano. Ao contrário, o governo turco decidiu tomar as medidas necessárias de seu próprio interesse, para "solucionar" a Questão Armênia, através do início do sistemático extermínio dos armênios ocidentais.


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X) Surgimento dos primeiros partidos políticos armênios:

As resoluções do Congresso de Berlim desiludiram o segmento politicamente ativo da sociedade armênia. Além de intelectuais e escritores inconformados com a deplorável situação do povo, começaram a emergir do seio da nação diversas organizações, sociedades e grupos, cada qual apresentando um projeto ou plano para a libertação do povo das agruras praticadas pelas autoridade.

Os primeiros partidos políticos armênios propriamente ditos apareceriam em fins do século XIX, a saber: Armenakan, Hentchakuian e Federação Revolucionária Armênia.

Efetivamente, estes Partidos priorizavam a resolução da Questão Armênia e libertação dos armênios ocidentais. Uma das formas no empenho de libertação dos armênios ocidentais foi o movimento de autodefesa. Com o propósito de defender sua vida e proteger seu patrimônio, grupos armados de jovens hayduks (voluntários) surgiram do seio do povo.

Apesar de terem a incumbência de defender a população indefesa, o movimento não perduraria por muito tempo, pois as forças eram absolutamente desiguais: o poderoso Estado Otomano com seus exércitos regulares de um lado, e o movimento de autodefesa popular por outro.


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XI) Os massacres de armênios na Turquia em fins do século XIX e o Primeiro Genocídio do século XX:

A fim de esmagar qualquer movimento de libertação, as autoridades turcas organizaram e executaram, entre 1894-96, as primeiras matanças coletivas executadas em larga escala na Armênia Ocidental.

Em menos de dois anos, o número total das vítimas ultrapassava os 300 mil, e centenas de cidades e aldeias foram destruídas. Em algumas localidades, a população tentou a defender-se como podia, no entanto, a desigualdade das forças em nada adiantava tal atitude de desesperança.

Já no século XX, aproveitando a eclosão da I Guerra Mundial (1914-1918), as autoridades turcas tiveram a melhor oportunidade para planejar e executar o longamente aguardado plano de exterminação da população armênia na Turquia.

Primeiramente, foram extintos todos os homens que serviam no exército do Império Otomano (fevereiro de 1915); em abril do mesmo ano, as autoridades turcas emitiram ordens para a deportação e conseqüente extermínio dos armênios em todas as regiões do Império.

O ponto inicial da execução do bárbaro plano ocorreu na madrugada do dia 24 de abril de 1915, quando mais de 800 intelectuais armênios (escritores, professores, religiosos, jornalistas, médicos, homens públicos) foram aprisionados na capital, Constantinopla (atual Istambul) e deportados para os desertos da Anatólia, onde foram cruelmente assassinados.

Nos anos que se seguiram, a população armênia da Armênia Ocidental foi destruída em massa nas regiões de Van, Erzerum, Bitlis, Kharberd, Sebástia, Diarbekir, Trebizond, bem como na Cilícia, Oeste da Anatólia e outras localidades. As deportações visavam o único objetivo final: a aniquilação e extermínio definitivo do povo armênio.

O número total das vítimas atingiu 1,5 milhão de pessoas; aproximadamente 800 mil armênios foram dispersos em diversas partes do mundo, aumentando o número das comunidades armênias da Diáspora.

Os danos materiais, morais e culturais do povo armênio são incalculáveis. A potência intelectual da nação sofreu uma perda irrevogável.

Após a derrota da Turquia na I Guerra Mundial, os líderes turcos foram acusados por terem induzido a Turquia numa guerra desastrosa e pela perpetração do genocídio armênio. Mas o veredito pasou in absentiam, visto que todos eles haviam fugido do país.



Um panorama sobre o Genocídio Armênio: causas e consequências - Prof. Heitor Loureiro

 
Segunda conferência do ciclo 2012" do módulo de pesquisa "Conflitos armados, massacres e genocídios na era contemporânea" do DIVERSITAS - Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, da Universidade de São Paulo, coordenado pelo Prof. Dr Rodrigo Medina Zagni.

Prof. Heitor Loureiro é mestrando em História Social pela PUC/SP e representante do Centro Latinoamericano de Estudios sobre Genocidio y Derechos Humanos (CLEGDH)





Palestra do Prof. Heitor Loureiro realizada na Comunidade Armênia de Osasco - SP. Brasil em 11 de Julho de 2012.


  
foto: Vice Presidende do Conselho Deliberativo da Comunidade Armênia de Osasco Hagop Koulkdjian Neto com o Prof. Heitor Loureiro






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XII) A I República (1918-1920):

A Revolução de 1917 na Rússia e o surgimento do governo Bolchevista, a assinatura de um armistício entre a Rússia, Alemanha e seus aliados e a evacuação das tropas russas da fronte do Cáucaso mudariam drasticamente o panorama político na Armênia Oriental e toda a região.

Os três países do Cáucaso (Armênia, Azerbaijão e Geórgia) criaram, em fevereiro de 1918, o "Seim" (triunvirato) da Transcaucásia. Em abril do mesmo ano, o "Seim" se transformou em República Democrática Federal, separando a região do resto da Rússia.

Em janeiro de 1918, aproveitando o armistício russo-alemão, as tropas turcas empenharam um ataque no fronte do Cáucaso.

Sem encontrar grande resistência, em pouco tempo os turcos conseguiram invadir as regiões de Kars e Batum e a Armênia Ocidental e prosseguir com o massacre da população local. Ao mesmo tempo, começavam a surgir sérias controvérsias politicas entre os Estados membros da recém formada República Democrática Federal da Transcaucásia, pois tornava-se cada vez mais evidente a orientação pró-turca do Azerbaijão.

Esses desentendimentos desmantelaram a precária estrutura do "Seim", desintegrando-o em 26 de maio de 1918, com a declaração da independência da Geórgia, seguida pelo Azerbaijão no dia seguinte.

À Armênia não restava nada mais que também proclamar, em 28 de maio de 1918, a sua independência. Em três batalhas heróicas e épicas, travadas por toda a nação armênia contra as tropas regulares do exército turco nas regiões de Sartarapat, Bach-Aparan e Karakilissé, os armênios conseguiram deter os avanços turcos rumo à planície de Ararat.

Em julho de 1918, foi assinado um Tratado de Paz entre a Armênia e a Turquia, onde a Turquia reconhecia a soberania da Armênia.

Veja no mapa o território da República Democrática da Arménia de março de 1919 a março de 1920

A I República surgiu, assim, após seis séculos de opressão e total dominação do povo armênio. No entanto, essa nova independência não perduraria por muito tempo, uma vez que novamente a Turquia, visando o seu projeto de pan-turanismo, invadiu a Armênia em setembro de 1920.

De nada adiantaram os apelos do governo armênio às potências aliadas ocidentais da Liga das Nações. Em 29 de novembro de 1920, o governo concluiu um acordo com os comunistas, e em 2 de dezembro a Armênia foi proclamada uma República Soviética.


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XIII) A II República (1920-1990):

Por sete décadas, a Armênia permaneceu como uma das quinze Repúblicas que compunham a URSS. Nesse período, o país passou por uma enorme e inédita transformação política, cultural e sócio-econômica, que foram marcadas por muita privação, sacrifícios, sucesso e progresso.

A vida do povo armênio acompanhou as etapas de transformação e mudanças sociais ocorridas no resto da União Soviética. Durante os primeiros anos de sovietização, a Armênia sofreu perdas territoriais sensíveis.

Indiferentes aos interesses nacionais do povo armênio, o governo central soviético aceitou entregar a região histórica de Kars, o distrito de Surmali para a Turquia, e transferir para controle do Azerbaijão a região de Nakhitchevan e Nagorno Karabagh (Artsakh).

O povo armênio teve uma participação ativa na II Guerra Mundial, quando centenas de milhares de soldados e oficiais armênios lutaram e se destacaram nas linhas de frente contra os exércitos alemães. Com o fim do conflito mundial, surgiu um movimento de repatriação em massa, e centenas de milhares de armênios (principalmente dos países do Oriente Médio) emigraram para a Mãe-Pátria.

Entretanto, a partir de meados dos anos '70 também começaria a surgir um movimento reverso, quando muitos armênios começaram a emigrar para outros países, principalmente para Rússia, Europa e Estados Unidos.

Todavia, pode se afirmar que, em geral, a II República foi destacada pelo desenvolvimento e amplo progresso econômico, grande avanço industrial em todas as áreas e significativa evolução cultural e intelectual, façanha jamais alcançada pelo povo armênio em toda a sua existência milenar num período tão curto.


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XIV) A Proclamação da Independência da Armênia e o estabelecimento da III República:

Em meados dos anos '80, ocorreram importantes mudanças na vida da URSS. Uma nova liderança emergiu ao poder com Mikhail Gorbachev e sua política de "perestroika" e "glasnost" (transparência), que estabeleceria as reais condições de um sistema multipartidário e ampla abertura na vida social.

O processo de democratização também atingiu a Armênia. Os valores tradicionais e históricos, que por décadas haviam sido ignorados ou relegados a um plano inferior, refloresceram e tomaram as ruas e praças.

Movimentos de reivindicação dos direitos e autodeterminação dos armênios de Nagorno-Karabagh (Artsakh) criariam as raízes do processo democrático. Pode-se afirmar que o movimento de Karabagh foi uma onda catalisadora rumo ao processo da democratização da Armênia.

Em maio de 1990, foram realizadas eleições no Soviete Supremo (Parlamento) da Armênia, onde o Movimento Pan Armênio (MPA) alcançou esmagadora maioria.

No dia 23 de agosto de 1990, o Soviete Supremo da República adotou a Declaração da Independência da Armênia. A República Soviética Socialista da Armênia foi renomeada como República da Armênia.

Posteriormente, com o desmantelamento da União Soviética, realizou-se em setembro de 1991 um referendo nacional na Armênia, onde a maioria absoluta da população optou pelo estabelecimento do Estado Independente, e Levon Ter-Petrossyan foi eleito Presidente (1991-1998) da República Democrática da Armênia. Em março de 1998, Robert Kocharyan foi eleito como o segundo Presidente do país.

Desde a proclamação da Independência, mudanças radicais foram introduzidas em todos os aspectos da vida nacional: a economia, a organização do Estado, as áreas social e política, a cultura e as relações com o mundo externo.

Mesmo em condições de extrema gravidade, acentuadas pelo colapso da União Soviética, além da aguda crise econômica, agravada pelo constante bloqueio das comunicações terrestres e do oleoduto pelo Azerbaijão e a Turquia, o povo armênio continua forjando sua independência, mirando o horizonte do futuro com confiança, fé, otimismo e esperança.


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A formação da antiga cultura armênia teve tanto a influência de invasores do planalto armênio quanto daquelas sociedades antigas e países com os quais os armênios mantinham contato.

O relevo da antiga cultura armênia tornou-se saliente durante o período helênico que, apesar de se situar num plano superior, não dissolveu a cultura armênia, deixando apenas um lastro profundo nesta última, principalmente na arquitetura e planejamento urbano, e no teatro.

As antigas capitais armênias Artachat e Tigranocerta comprovam isso. Já o monumento mais notório do período helênico na Armênia é o templo de Garni, construído no primeiro século. A cultura da antiga Armênia foi o fundamento no qual se ergueu a própria cultura nacional dos períodos subseqüentes.

Garni é um complexo de templo localizado na província de Kotayk na Armênia , situado a cerca de 32 km ao sudeste da capital Yerevan.

Local Templo Garni
Foto nº 01

Local Templo Garni
Foto nº 02

Local Templo Garni
Foto nº 03

Local Templo Garni
Foto nº 04

Local Templo Garni
Foto nº 05

Local Templo Garni
Foto nº 06

Local Templo Garni
Foto nº 07

Local Templo Garni
Foto nº 08



A língua armênia pertence à família das línguas indo-européias, sem outra ramificação e como uma das mais antigas formas.

O alfabeto próprio foi criado no início do século V (406) por Mesrop Machtots, e tem se transformado numa base sólida para a língua nacional e a cultura.

Atualmente, mais de 25 mil manuscritos antigos são preservados no Matenadaran (Biblioteca) do Instituto de Manuscritos Antigos, assim como em bibliotecas de Jerusalém, Viena, Veneza, Londres e outros locais.

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São Mesrop Mashtots

São Mesrop Mashtots (361 ou 362 / 17 de fevereiro de 440)

Foi um armênio teólogo , lingüista e hymnologist.

Ele é mais conhecido por ter inventado o alfabeto armênio , que foi um passo fundamental no fortalecimento da Igreja Armênia , do governo do reino arménio , e, finalmente, a ligação entre o reino arménio e os armênios que viviam no Império Bizantino e do Império Persa .

Ele também é conhecido por sua contribuição para a invenção dos alfabetos Caucasiano albanês e georgianas.


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Mosteiro Amaras

O Mosteiro Amaras em Nagorno Karabakh, onde no século V São Mesrob Mashtots , o inventor do alfabeto armênio , estabeleceu a escola armênia e pela primeira vez usou o seu alfabeto.

O mosteiro foi fundado no século 4 por St. Gregório, o Iluminador , que batizou o Reino da Armênia como o primeiro Estado cristão do mundo, em 301 DC.


Apesar de as primeiras comunidades cristãs terem surgido no país já no século I, a Armênia adotou o cristianismo como religião oficial de Estado em 301, durante o reino do rei Tiridates III, tornando-se o primeiro país do mundo a aderir oficialmente à religião cristã.

O primeiro Patriarca (Catholicós) da Igreja Armênia foi Gregório, o Parto, a quem a Igreja atribui ser o segundo Iluminador dos armênios. Mais tarde, Gregório, o Iluminador, foi canonizado pela Igreja Armênia.

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Santo Gregorio o Iluminador (Krikor Lusavoric) Esta pintura esta na Santa Sé da Cilícia.



A adoção do cristianismo deixou um impacto poderoso na história subseqüente do povo armênio. A fé cristã proporcionou um ímpeto para maior desenvolvimento da cultura.

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A mão direita de Gregório, o Iluminador no museu da Santa Sé de Cilícia em Antelias , Líbano



A ética cristã tornou-se a base para a visão armênia, deixou um registro imutável na moldura espiritual e no psique da nação. A Igreja Armênia teve um papel destacada no vida da sociedade armênia, especialmente após a perda do Estado.

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Gregório, o Iluminador ilustração de 1898, no livro «Illustrated Armênia e os armênios>>



Os estatutos desta Igreja regularam muitos aspectos da vida cotidiana dos armênios, assumindo às vezes as funções do Estado, na luta secular do seu povo para preservar sua identidade.


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A Cultura Medieval Armênia:

O acontecimento mais importante na vida cultural da sociedade armênia no início da Idade Média foi o desenvolvimento do alfabeto armênio.

Tornava-se visível a necessidade de possuir um alfabeto (escrita) nacional, pois a sua ausência não só barrava o desenvolvimento da literatura original, as pesquisas teológicas e acadêmicas, mas até mesmo a própria língua, uma vez que eram utilizadas as escritas do aramaico, grego e assírio na língua escrita em períodos diferentes .

A sociedade armênia do século IV havia compreendido e assimilado esta necessidade. O sábio "Vartapet" Mesrob Machtots (aprox. 362 - 440), com apoio do Catholicós Sahak Partev criou, no início do século V (aprox. 408) as novas letras da língua, onde cada fonema da língua recebeu sua letra equivalente, solucionando a dificuldade existente até então e servindo, ao mesmo tempo, como um ícone de união nacional através da escrita própria.

As traduções da Bíblia e de importantes obras dos pensadores e filósofos da antigüidade, assim como a historiografia (Agatangelos, Fausto de Bizâncio, Lázaro de Parb, Koryun, Yeghiché (Eliseu) e outros) tiveram um papel fundamental na cultura armênia medieval no século V (também denominada de Século de Ouro na literatura armênia) e subseqüentes.

Pode-se afirmar que, a criação da escrita armênia incentivou o desenvolvimento da literatura armênia propriamente dita, a qual já possuía uma rica tradição oral antes da criação do alfabeto nacional.

No período da Idade Média foram criadas escolas teológicas e filosóficas, acopladas ao ensinamento cristão. Dessa época, destacam-se autores como David Anhaght (Davi, o Invencível), Anania Chirakatsi, Mekhitar Heratsi (século XI).

As obras do médico Amirdovlat Amassiatsi (séc. XV) espraiaram uma visão e luz nova na prática da medicina e farmacologia, delineando os traços elementares da conquista da medicina contemporânea.

Destacam-se, ainda, as obras de Krikor Narekatsi, (Gregório de Narek) séc. X, Kostandin Yerznkatsi (Constantino de Yerzengá) sécs. XIII-XIV, Frik séc. XIII, Nahapet Kutchak séc. XVI, e Sayat Nova séc. XVIII.

A arquitetura e as artes plásticas do período medieval também foram altamente desenvolvidas, com a criação de obras de grande valor e significação genuínas.

Na arquitetura, é inegável a presença das basílicas, Igrejas e conventos, além do planejamento das cidades urbanas, construções de fortificações e palácios.

Nas artes plásticas, as ilustrações dos livros, os mosaicos e desenhos. A música medieval armênia teve a predominância espiritual, e forneceu muitos hinos (charagans) à Igreja Armênia. Ao final da Idade Média, era visível o surgimento dos Achughs (trovadores) e a música lírica.

Na área cultural, a quantidade de escolas cresceu de forma considerável. Nos séculos XVII-XVIII Etchmiadzin já era o centro educacional da Armênia Oriental, enquanto Constantinopla representava a mesma importância para os armênios ocidentais.

As Universidades de Gladzor (séc. XIII-XIV) e Tatev (sec. XIV-XV) ofereciam alto nível de educação, eram centros de pesquisas, tinham suas bibliotecas (matenadarans) com inúmeros manuscritos, e ofereciam, além de teologia, cursos sobre ciências naturais, filosofia, música e outras disciplinas. Os graduados recebiam o título de "vadapet" (doutor). Não eram poucos os professores que escreviam tratados acadêmicos.

Monges de duas congregações armênias católicas, localizadas em Veneza (1717) e Viena (1811), tiveram um papel importante no desenvolvimento de diferentes ramos da armenologia.


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A Cultura na Era Moderna:

No crepúsculo da Idade Moderna, dois acontecimentos importantes se destacam na história da cultura armênia. Em 1512, inaugurou-se a primeira gráfica armênia na cidade de Veneza, e o primeiro livro impresso pelo publicitário Hakob Meghapart foi o "Livro de sexta-feira" (Ourbataguirk).

Já no século XVII, eram notórias as gráficas estabelecidas nas cidades de Constantinopla, Lvov e Amsterdã, no século XVIII e Madras (Índia), São Petersburgo, Astrakhan, Nova Nakhitchevan.

A primeira gráfica estabelecida na Armênia foi em 1771 na Sede da Igreja Armênia, em Etchmiadzin. Em 1794 foi publicado o primeiro periódico armênio em Madras (Índia), de nome "Aztarar" (Arauto).

A Segunda metade do século XVII e todo o século XVIII foram marcados pelos armênios pela consistente busca de caminhos para a libertação da dominação de déspotas do Oriente: Irã e Turquia. O papel fundamental neste empenho estava centralizado na Igreja Armênia, que protegia os interesses da nação.

Ao emergir como uma força internacional nos séculos XVI - XVII, a Rússia foi visto pelos armênios como a potência externa que poderia ajudá-los na libertação da Armênia da dominação da Turquia e do Irã.

No século XIX, a cultura armênia se destacava através de três elementos: a cultura armênia oriental, a cultura armênia ocidental e a cultura dos segmentos oriundos pelo movimento migratório.

Cada um desses três segmentos se desenvolveram sob a influência de fatores que caracterizavam a vida dos respectivos segmentos do mesmo povo, onde a cultura armênia como um todo era o meio essencial para a integridade que representava os interesses da nação.

Principalmente no setor educativo, ocorreram mudanças substanciais a partir da primeira metade do século XIX, quando foram abertas escolas nacionais nos setores migrantes armênios, em diversas localidades da Turquia, Itália, Nor Nakhitchevan e outros.

Em 1815 foi fundado o primeiro Seminário armênio em Moscou (Lazarian). Na capital da Geórgia, Tiflis, existiam diversas escolas públicas e particulares, entre as quais a mais importante foi a escola Nercissian, estabelecida em 1824.

E na Armênia oriental, anexa à administração central do Império Russo, foi estabelecido o Seminário Gevorguian de Etchmiadzin, em 1874, que mais tarde tornou-se um centro de armenologia.

Também nesse século, o leque de livros impressos cresceu substancialmente, e apenas em Constantinopla atuavam mais de 130 gráficas armênias.

Em pouco tempo, novas gráficas foram inauguradas em quase todos os grandes núcleos que concentravam comunidades armênias. Quinze mil livros (de ensino, dicionários, publicações acadêmicas, literárias) e mais de 1300 periódicos (jornais, semanários, revista mensais) foram publicados durante o século XIX.

A literatura armênia passou por um processo de desenvolvimento, marcada pelas obras clássicas (classicismo), românticas e finalmente realistas, e teve um papel fundamental na moldura da consciência nacional, ao educar o povo pelo espírito de liberdade.

Neste aspecto, o grande autor Khatchatur Abovian é considerado o progenitor da nova literatura armênia. Os poetas e escritores dos anos 1850-60, dos quais se destacam Mikael Nalbandian, Petros Durian, Mekertich Pechigtachlian e outros prosseguiram o trabalho iniciado e deram ênfase às questões populares.

A partir dos anos 1870, a prosa transformou-se na principal manifestação literária, e os grandes novelistas como Raffi, Perj Prochian, Ghazaros Aghayan e Gabriel Sundukian, além do sátiro Hakob Paronian tiveram enorme influência no desenvolvimento da literatura armênia.

A partir da Segunda metade do século XIX, desenvolve-se o teatro profissional, a música e as artes plásticas atingem elevados estágios a nível internacional. O grande pintor dos mares, Hovhannes (Ivan) Aivazosky trouce sua valiosa contribuição para o desenvolvimento da pintura armênia. Já Hakob Hovnatanian é considerado como o fundador da escola realista da pintura.

Como pode se observar, todos os setores da cultura armênia no século XIX passaram por transformações qualitativas substanciais, que afetaram o intelecto do povo armênio e contribuíram para a elevação espiritual e nacional a novas dimensões. Mais uma vez, foi a cultura o fator destacado pela auto-afirmação, preservação e integração nacional dos armênios.


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A Cultura armênia no século XX:

Em todos os ramos da cultura, as primeiras décadas do século XX revelaram mestres brilhantes, cujas obras têm um valor perene na vida espiritual armênia. A poesia destas décadas é representada pelos poetas Hovhannés Tumanian, Avetik Issahakian, Vahan Terian, na Armênia Oriental, e por Missak Metsarents, Daniel Varujan, Siamanto e outros, na Armênia Ocidental.

A prosa se engrandeceu com as obras de Alexandre Shirvanzade, Vertanés Papazian, Grigor Zohrap e outros.

Na música, o nome do famoso músico e compositor Komitás é um dos principais destaques.

A dramaturgia armênia também teve um súbito crescimento, com o surgimento de grupos teatrais que revelavam grandes mestres teatrais, tais como Hovhannés Abelian, Vahram Papazian, Hratchiá Nercissian e outros.

As artes em geral tiveram muitos nomes, cujas criações repercutiriam através das décadas a seguir: Martiros Sarian, Yeghiché Tadevossian, Hakob Kojoyan, escultor Hakob Gurjian.

A florescente cultura na Armênia Ocidental se estagnaria subitamente, devido aos trágicos acontecimentos que transcorreram a partir de abril de 1915, quando a notória intelectualidade e toda a população armênia que vivia em suas terras ancestrais da Armênia sob dominação do Império Otomano foi dizimada e exterminada em quase sua totalidade, pelo nefasto Genocídio que foi planejado, organizado e perpetrado pelas autoridades turco-otomanas.

Em conseqüência, os que puderam se salvar dos catastróficos caminhos das deportações forçadas que levavam à morte certa, foram obrigados a fugirem em busca de sua sobrevivência longe de suas terras históricas, encontrando amparo e acolhida fraternal em países do Oriente Médio, Europa e as Américas, além, é claro, dos que puderam escapar para a Armênia Oriental.

A Diáspora Armênia, portanto, teria de se organizar a longo prazo, tanto social como intelectualmente estruturando sua capacidade e regeneração.

É evidente que, com o estabelecimento do regime soviético na Armênia, em novembro de 1920, mudanças substanciais viessem a ocorrer tanto na vida social como também em toda a área cultural.

A exclusiva dominação da ideologia comunista visava transformar a cultura num instrumento sutil de difusão ideológica e político do partido comunista, e o estabelecimento de padrões e normas rígidas do "realismo socialista" naturalmente restringiria a liberdade de expressão e criação principalmente na primeira fase.

Já a partir da segunda metade da década de 1950, com o gradativo desmoronamento do culto de personalidade e uma maior aproximação aos valores herdados do passado, a cultura contemporânea começou a ter o seu lugar de destaque na cultura do povo armênio.

Assim, nomes mundialmente famosos como o pintor Martiros Sarian, os poetas Hovhannes Shiraz e Paruyr Sevak, o compositor e regente Aram Khatchaturyan, escritores como Derenik Demirjian, Gurguen Mahari, Hratchiá Kochar, Hamo Sahian, Sylva Kaputikian, Vahagn Davtian , artistas como Minas Avetissian, Grigor Khanjian, Hakob Hakiobian, arquitetos como Alexandre Tamanian, Rafael Israelian e muitos outros tornaram-se populares e seus trabalhos louvados e amplamente divulgados não só na Armênia, como também nos quatro cantos do mundo.

Indubitavelmente, não se pode negar que nas sete décadas de permanência do regime soviético (1920-1990), a Armênia obteve um enorme salto jamais registrado em toda sua existência, alcançando níveis elevados no desenvolvimento das ciências, educação e assistência social.

O analfabetismo foi erradicado por completo do país, com a introdução do sistema obrigatório e gratuito de ensino primário e elementar, extensivo à universidade.

Em 1943, foi fundada a Academia Nacional de Ciências, com o objetivo de promover pesquisas fundamentais assim como estudos de armenologia (a Armênia é hoje, reconhecidamente, o centro mundial de armenologia).

O Acadêmico Victor Hambartsumyan ganhou fama mundial em astrofísica. As áreas de física, química, cibernética, etc., modernos laboratórios de P & D (Pesquisa e Desenvolvimento), institutos tecnológicos espraiaram ampla luz e conhecimento avançado, competindo com os mais avançados centros mundiais.


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A Igreja Armênia é uma das mais antigas igrejas cristãs no mundo. Como a Armênia é o país onde o cristianismo foi proclamado como religião oficial de Estado, em 301, antes de qualquer outro país tê-lo realizado, a Igreja Apostólica Armênia é considerada "a mais antiga" entre as igrejas-irmãs cristãs.

Dentro da Igreja Ecumênica, a Igreja Apostólica Armênia é independente. A Catedral de Santa Etchmiadzin, Sede do Catholicossato de Todos os Armênios, foi construída e consagrada em 303, e é o centro espiritual de todos os armênios.

Devido a circunstâncias sócio-políticas ou econômicas, a Sede do Catholicossato mudou de lugar várias vezes para Dvin, Akhtamar, Argina, Ani.

Em 1066, o Catholicossato foi transferido para Cilícia, e permaneceu na capital Sis, até 1441, quando voltou à Sede de Etchmiadzin, onde permanece até hoje.

O Catholicossato de Cilícia pemaneceu em Sis mesmo depois da queda do reino armênio de Cilícia até 1930, quando foi transferida para Antelias, no Líbano, onde permanece até hoje.

A Igreja Apostólica Armênia reconhece os seguintes sacramentos: Batismo, Unção dos doentes, Penitência, Eucaristia, Ordenação (ordem) Sagrada e Matrimônio.

Batismo é o primeiro sacramento, e quem não se batiza não compartilha os sacramentos restantes. Nas Festas dedicadas ao Senhor, observam-se as seguintes comemorações dedicadas a Jesus Cristo, à Virgem Maria, à Santa Cruz e à Santa Igreja.

Cinco das comemorações são consideradas Grandes, a saber: Epifania (Nascimento e Batismo), Páscoa, Transfiguração, Ascensão e Exaltação da Santa Cruz. As segundas-feiras que se seguem imediatamente as grandes comemorações são dedicadas aos Finados.

O calendário da Igreja Armênia dedica 112 dias para a comemoração de santos. Os aproximadamente 400 santos rememorados pela Igreja Armênia são divididos em três grupos: os Santos Bíblicos (patriarcas, apóstolos, evangelistas, etc.); Santos Ecumênicos (mártires, prelados, patriarcas da Igreja e outros, venerados por todas as Igrejas Cristãs) e os Santos Armênios (aproximadamente 50).

A Igreja Armênia preserva muitas relíquias, entre as quais destacam-se: a ponta da lança que perfurou a costela de Jesus Cristo; a relíquia que simboliza a mão direita de Gregóio, o Iluminador; uma relíquia da Arca de Noé (todas guardadas na Sede de Etchmiadzin).

O Catholicossato de Todos os Armênios compreende: o Patriarcado Armênio de Jerusalém (estabelecido no século VII); o Patiarcado Armênio de Constantinopla (estabelecido em 1461) e 36 Sedes Diocesanas (das quais 8 na República da Armênia e 1 em Nagorno Karabagh/Artsakh), as demais espalhadas nos países da Europa, Américas, Ásia, África e Oceania, onde há comunidades armênias.

O Chefe da Igreja Apostólica Armênia é o Patriarca Supremo e Catholicós de Todos os Armênios, que é eleito por um mandato vitalício pelo Conselho Eclesiástico-Nacional, que se reúne para tal finalidade.

O Conselho abrange representantes constituídos do clero e civis (laicos), devidamente eleitos pelas sedes e comunidades da Igreja Armênia ao redor do mundo. Como já foi mencionado anteriormente, a Igreja Armênia tem tido um papel fundamental no desenvolvimento da educação e da cultura nacional, assiduamente relacionadas às atividades da Igreja.

Logo, esta Igreja foi e permanece sendo um fator importante da unidade dos armênios, tanto para o povo da pátria-mãe Armênia, como também para todos os armênios da Diáspora, espalhados pelo quatro cantos do mundo, zelando pela preservação dos valores e tradições nacionais e religiosas da nação, razão pela qual pode se afirmar que a Igreja Apostólica Armênia é uma Igreja Universal e Nacional, ao mesmo tempo.

No período pós-soviético e com a liberalização da profissão de fé, as comunidades católica e evangélica armênias puderam desenvolver suas atividades no país, onde também existem minorias religiosas de outras étnicas nacionais, como os curdos, iezides, gregos, judeus, etc. Mais recentemente, observa-se a penetração de novas seitas religiosas no país, como os Testemunhas de Jeová, os Mórmons e outros.


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O destino histórico do povo armênio tem feito com que, desde os primórdios da Idade Média os armênios deixem a sua pátria em busca de melhores condições de vida mais segura em terras estrangeiras.

Os motivos fundamentais para que esse êxodo desse lugar foram a perda do Estado nacional com a ocupação da Armênia pelas forças dos conquistadores estrangeiros e a opressão reinante no país, acrescida de perseguições étnico-religiosas.

O raio dessa dispersão, que aumentou gradativamente, não só chegou à vizinha Geórgia e Bizâncio, mas também outros países, tais como Bulgária, Criméia, Polônia, Hungria, Kiev na Rússia, Moldova, Ucrânia, vários países do Oriente Médio, chegando até a longínqua Índia.

Depois da queda do Reino Armênio de Cilícia, no final do século XIV, um grande número de armênios migraram para a ilha de Chipre, e de lá muitos prosseguiram para Itália, França e outros países da Europa.

Assim, na virada do século XVIII existiam coletividades armênias espalhadas em muitos países da Ásia e Europa. Nas localidades onde foram se instalando, eles mantiveram, na medida do possível, sua identidade e a religião, simultaneamente contribuindo para o desenvolvimento da cultura local, tentando manter seus laços com a mãe pátria e ajudar na luta libertatória do povo pátrio.

O que concerne à Diáspora Armênia ou "Spiurk" , como é chamada em armênio, ela foi formada nas primeiras décadas do século XX, como conseqüência direta do grande Genocídio que foi planejado e perpetrado pelo governo turco-otomano na Armênia Ocidental, Cilícia (dominada pelo Império Otomano), e em muitas regiões da Turquia, onde existia vasta população armênia.

De uma população de dois milhões e trezentos mil armênios, somente uns oitocentos mil sobreviveram, evadindo-se das hediondas e sistemáticas perseguições e se dispersando pelos quatro cantos do mundo, somando-se às comunidades já existentes e criando outras novas.

O movimento migratório dos armênios continuou ao redor do mundo nas décadas seguintes. Sobressaltos políticos na segunda metade do século XX nos países do Oriente Médio, tais como os movimentos nacionalistas no Egito, a prolongada guerra civil no Líbano, a revolução islâmica no Irã, a guerra Irã-Iraque e ultimamente a guerra do Iraque fizeram com que grande número de armênios migrassem para os Estados Unidos, Canadá, Austrália, países da Europa e da América Latina.

Em fins da década de '80 e início de '90, um grande contingente de armênios radicados no Azerbaijão refugiaram-se na a Armênia, Rússia e outros países, após os "pogroms" (massacres) perpetrados pelos azerbaijanos contra a população civil armênia, especialmente nas cidades de Sumgait e Baku, capital do Azerbaijão.

Nos primeiros anos da década de '90 e depois da proclamação da independência, em 1991, em conseqüência do desastroso terremoto de 1988 e o bloqueio político-econômico imposto contra a República da Armênia pela Turquia e Azerbaijão, centenas de milhares de armênios migraram da Armênia para os Estados Unidos, Canadá, Europa ocidental, América Latina e Austrália, em busca de melhores condições de vida.

O número de armênios espalhados pelo mundo carece de uma resposta exata. A ausência de informações fidedignas sobre a presença dos armênios em todas as partes do mundo faz-nos estimarmos que existam, hoje, por volta de 8 a 8,5 milhões de armênios. Fora da terra natal, onde habitam aproximadamente 3,5 milhões de armênios, as maiores comunidades são da Federação Russa, mais de 2,2 milhões, Estados Unidos, com 1,2 milhão, Geórgia 450 mil, França 400 mil, Irã 200 mil, Síria 130 mil, Líbano 150 mil, Canadá 70 mil, Argentina 100 mil, países da Europa (exceto França) 100 a 150 mil, Ásia e Austrália aproximadamente 100 mil, África e países do golfo, aproximadamente 100 mil. No Brasil, o número oscila entre 60 a 70 mil.

Em todas as comunidades da Diáspora, os armênios têm estabelecido suas Igrejas, escolas, instituições culturais, recreativas, sociais e beneficentes, organizando a vida da comunidade visando preservar sua cultura e língua.

Com o restabelecimento do Estado independente da República da Armênia, a história abre diante dos armênios uma única janela de inter-relacionamento e oportunidade de reforçar a unidade de toda a nação, através da consolidação de suas três entidades constituintes: a República da Armênia, a República de Nagorno Karabagh e a Diáspora (Spiurk).

A soberania da República da Armênia é vista, por todos, como a realidade axial da história moderna da nação, a justa conclusão na sua luta de libertação nacional e coexistência pacífica junto às famílias das nações do mundo.


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Caros amigos, esta pagina ainda não está finalizada e ainda muitas imagens serão introduzidas.

Todo material e informações contidas nesta pagina foram compiladas de diversas literaturas sobre a história da Armênia.

Uma revisão minunciosa, o cruzamento de informações, alem de uma exaustiva leitura e pequisa vem possibilitando corrigir vários erros de transcrição sobre a história da Armênia.

Fonte pesquisa
• Armênia - Foundation for Medieval Genealogy
• The Genealogy of the Kings and Queens of Armênia-Cilicia

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